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  • Decisão do STF expõe parcialidade da Lava Jato contra Lula

    “O que aconteceu ontem em Brasília precisa ser registrado nesta Casa. Desde 2016, eu venho dizendo que a ação feita a partir da Operação Lava Jato, em Curitiba, deixou de ser uma operação jurídica e passou a ser uma operação política. Uma operação que visava manchetes para os jornais do que propriamente uma operação para apurar irregularidades”. A declaração é do líder do PT na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), deputado Tadeu Veneri, durante a sessão remota desta quarta-feira (05), ao se referir a duas vitórias expressivas obtidas pelo ex-presidente Lula no Supremo Tribunal Federal.

    Em decisão proferida pela 2ª Turma do STF nesta terça-feira (04), ficou estabelecida a retirada de trecho da delação do ex-ministro Antonio Palocci da ação em que Lula é acusado de receber um imóvel de R$ 12 milhões da Odebrecht para sediar o Instituto Lula. A retirada da delação de Palocci foi determinada pelos ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, com o voto contrário do relator da Lava Jato no Supremo, ministro Luiz Edson Fachin.

    De acordo com o deputado, a decisão dos ministros da Corte reforça a suspeita contra o então juiz Sergio Moro, que, às vésperas da eleição de 2018 vazou a delação de Palocci, beneficiando Jair Bolsonaro. “Uma semana antes das eleições o então juiz Sergio Moro retirou o sigilo de uma delação feita por Palocci num acordo feito pela Polícia Federal e não pelo Ministério Público. Mesmo assim, Moro achou que era importante para o país fazer com as pessoas conhecessem uma delação que agora não foi aceita no processo”, destacou.

    A outra decisão da 2ª Turma do STF, trata do acesso do ex-presidente a todos os documentos usados no acordo de leniência fechado pela Odebrecht com o Ministério Público Federal. “Essa decisão revela mais uma ilegalidade no processo contra o ex-presidente Lula. É uma aberração jurídica o acusado não poder reconhecer o teor das provas que são motivos da sua acusação”, criticou Veneri.

    O deputado lamentou que o julgamento do recurso da defesa de Lula e o reconhecimento das ilegalidades pelo STF tenham ocorrido dois anos após a eleição que mudou o curso da história do Brasil. “Dois anos depois de Bolsonaro ter sido eleito, dois anos depois de ter mudado o quadro no Brasil, dois anos em que ocorreu a maior destruição da indústria pesada no país, gerando quase 4 milhões de desempregados. Talvez a única coisa que possa ser feita é reparar moral e juridicamente o que foi feito. Antes tarde do que nunca”, concluiu.

    Assessoria da liderança da Bancada do PT na Assembleia Legislativa