Notícias

  • Governo do PR precisa ouvir a sociedade e reabrir matrículas para cursos técnicos

    Governo do PR precisa ouvir a sociedade e reabrir matrículas para cursos técnicos

    A decisão da Secretaria de Educação de suspender as matrículas para novas turmas de cursos profissionalizantes na rede pública estadual neste segundo semestre precisa ser imediatamente revista. A cobrança foi feita pelo deputado estadual Tadeu Veneri (PT) na sessão plenária desta quarta-feira, 29, quando chamou a atenção para o risco de a oportunidade de formação gratuita e pública ser subtraída aos jovens trabalhadores do Estado. "A secretaria de Educação não pode continuar fechando portas para os jovens que querem se aperfeiçoar", disse Veneri.

    Veneri relembrou que instituições privadas já demonstraram interesse em assumir esses cursos. Mas cobrariam por esse serviço, dificultando o acesso de milhares de jovens a essa modalidade de formação.A Secretaria da Educação do Paraná oferece cursos em várias áreas, com diploma de habilitação técnica. Os cursos técnicos são indicados para quem quer aprender uma profissão, mas não tem condições de seguir a programação regular ou formação universitária. Para quem já concluiu o ensino médio, os cursos têm duração de 1 a 2 anos.

    “Temos recebido cartas do Paraná inteiro demonstrando essa preocupação e pedindo ajuda. É uma questão de bom senso do governo retomar essas matrículas”, afirmou Veneri. A justificativa do governo de atribuir o cancelamento à pandemia de coronavírus não cabe nesse caso, disse Veneri. Nem todos os cursos dependem de aulas em laboratórios ou atividades práticas. “Muitos podem ser feitos de forma remota. O importante é não interromper a formação profissional desses estudantes. A pandemia não pode ser usada para amparar medidas que cancelam o direito ao ensino gratuito”, afirmou.

    Veja a carta dos professores e movimentos pedindo a volta das matrículas:

    MOVIMENTO EM DEFESA DOS CURSOS TÉCNICOS DAS ESCOLAS PÚBLICAS DO PARANÁ

    Vivemos um momento “atípico” mundialmente, o qual a pandemia por COVID 19 assola o mundo todo, forçando transformações muito rápidas em todos os aspectos da sociedade, seja quanto às relações sociais ou mesmo interferindo diretamente nos contextos políticos e econômicos. Este cenário nunca antes observado exigiu rápida reação dos gestores públicos, que, optaram pelo imediato fechamento presencial nas escolas, buscando conter o aumento exacerbado do contagio e a proposta de ações emergenciais para o atendimento ao público escolar denominando assim o ensino remoto, como busca para minimizar os efeitos do distanciamento social no aprendizado dos alunos.

    No Brasil enfrentamos o dilema de voltarmos com as atividades normais, defendido por algumas lideranças empresariais e políticas ou mantermos o isolamento, evitando o contato, para retornarmos aos poucos, mediante índices de redução da proliferação do vírus. Considerando que a economia mundial vê o PIB das principais potências sofrer reduções drásticas e o número de contaminados e infelizmente de mortes aumentando a cada dia.

    O Paraná em particular tem defendido o isolamento social e o retorno às atividades com base na redução dos índices de contagio. No que se refere às escolas paranaenses e a educação como um todo, as mesmas seguem as orientações do governo em manter-se fechadas , realizando apenas e esporadicamente o trabalho de entrega dos kits alimentares, os quais estão auxiliando de forma emergencial as famílias mais carentes. Nestas datas, também são disponibilizadas a entrega de atividades impressas aos estudantes que não tem conseguido acompanhar as aulas através das plataformas digitais disponibilizadas pela Secretaria de Estado da Educação e do Esporte, sejam por não terem acesso aos recursos tecnológicos necessários ou por apresentarem dificuldades que os impeçam de acompanhar as aulas remotas.

    Sabemos que a pandemia alterou praticamente a vida de todos mundialmente, os índices econômicos estão despencando, diversos empresários e micro-empreendedores vendo seus negócios falirem e o aumento do desemprego se acelera cada vez mais. Acreditamos que a educação escolar continua tendo a função imprescindível para a formação dos cidadãos. Deste modo, a formação técnica promovida pelos cursos profissionalizantes, tem papel de suma importância nas políticas públicas do Paraná para a retomada do crescimento do nosso Estado no período pós-pandemia.

    Em razão de acreditarmos no potencial educativo, que fundamenta os cursos profissionalizantes, propostos pela SEED, e ainda mais na necessidade de trabalhadores para a retomada do mercado pós-pandemia, solicitamos através desta carta, em um movimento entre gestores das escolas da rede estadual de educação de Maringá e região jurisdicionada ao Núcleo Regional de Educação, que a Secretaria de Estado da Educação e Esporte do Paraná reitere sua decisão em não autorizar a abertura de turmas para os cursos de formação técnica (modalidade Subsequente) para este segundo semestre de 2020.

    Lembrando que esses cursos são das áreas da saúde, gestão, engenharia, tecnologia, eixos fundamentais de estruturação, qualificação e empregabilidade, setores econômicos de grande necessidade para o crescimento social. Reiteramos que não autorizar a abertura de novas turmas para o Ensino Técnico Profissional subsequente neste momento, não contribuirá para que o nosso Paraná volte ao rumo da prosperidade e sucesso. Necessitamos sim, de qualificação profissional principalmente para os que estão perdendo o emprego e que necessitarão retornar ao mercado de trabalho, ao contrário, poderemos sentir futuramente o aumento desenfreado do desemprego e do sofrimento das famílias paranaenses, além do aumento exacerbado da criminalidade e violência.

    Haja vista, a importância da qualificação técnica para a sociedade, mesmo que momentaneamente remota, para que o cidadão paranaense possa estar preparado profissionalmente para o mercado de trabalho.

    Pesquisas demonstram que cerca de 80% dos alunos que possuem formação técnica tem conquistado melhores colocações e melhor reconhecimento no mercado de trabalho, pois estes se tornam muito mais qualificados. É por meio dos cursos técnicos que vários jovens conseguem ingressar no mercado de trabalho, e com essa qualificação obtém melhores vagas e salários.

    Solicitamos aos responsáveis pelas políticas públicas em especial para a Educação Profissional no Estado do Paraná que reiterem sua decisão e autorizem a abertura de novas turmas para o segundo semestre de 2020, possibilitando o acesso aos estudos aos cidadãos paranaenses.

    Dentre outras questões importantes sobre a Educação Profissionalizante, cabe pontuar, os muitos professores contratados pelo regime temporário de trabalho, que com

    a não abertura de novas turmas nos cursos subsequentes, passarão a aumentar os números de desempregados no Paraná. A não abertura de turmas diminuirá a oportunidade dos estudantes paranaenses de adentrarem ao mercado de trabalho, alem do crescente numero de mão de obra qualificada para atender as APLs.

    Elencamos que em relação a inviabilidade das aulas práticas, concordamos que nada substitui o fazer, o manusear, a prática em um laboratório. Porem, afirmamos que nossos profissionais se esmeraram na busca de formas possíveis de demonstrar os procedimentos online. Salientamos também, que o próprio Conselho Estadual de Educação já tem repensado novas possibilidades e procedimentos para as aulas práticas e de estágio, como pode ser observado no PARECER CEE/CEMEP No 192/20, APROVADO EM 13/07/2020.

    Cabe lembrar, que o momento da pandemia tem mudado a vida de todas as pessoas mundialmente e a educação ainda que através de plataformas digitais para o ensino remoto, como as ofertadas pelo governo de nosso estado, tem sido de grande valia principalmente para os paranaenses continuarem seus estudos e manterem-se em contato com a sociedade.

    Ressaltamos a função da escola como forma imprescindível para a formação do homem humanizado, sua participação política e também sua atuação no mercado de trabalho, uma vez que com o aumento do desemprego e a falta de propostas educacionais, a tendência para aumentar a violência e a criminalidade torna-se imperante e desenfreadamente crescente.

    Logo, a autorização para a abertura de turmas para os cursos da Educação Profissional, vem agregar ainda mais os valores educacionais propostos pela educação no âmbito escolar da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte do Paraná.

    GESTORES, PROFESSORES E ALUNOS DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL.