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  • Precisamos falar sobre suicídio!

    Precisamos falar sobre suicídio!

    A cada 40 minutos, uma pessoa morre por suicídio no Brasil. Em Maringá, no ano passado, a cada dia, duas pessoas tentaram o suicídio. No primeiro semestre de 2019, já foram notificadas 12 mortes por essa mesma causa. Esses dados foram apresentados pela psicóloga e professora universitária Rachel Antoniassi durante a audiência pública “Todos pela Vida: Políticas Públicas frente a Prevenção do Suicídio”, realizada na quinta-feira, dia 26, pela Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa na Câmara Municipal de Maringá.

    Presidente da CDHC, o deputado Tadeu Veneri, defendeu a ampliação do debate público sobre um tema que ainda é tabu na nossa sociedade. “Temos a necessidade de fazermos esse debate. O silêncio tem permitido que algo se repita sem que possamos nos dar conta”.

    A psicóloga Rachel Antoniassi destacou que, a discussão da saúde mental deve ser feita de maneira responsável, ética e envolvendo pessoas com formação específica na área. “Isso ainda exige um outro lado, o da escuta, sem julgamentos e preconceitos, mas com acolhimento e respeito. Estamos preparados para esse tipo de escuta?”.

    Antoniassi comparou os dados sobre suicídio e a incidência da dengue no município de Maringá. “No primeiro semestre de 2019, foram notificados dois casos de dengue e 12 mortes por suicídio, no município de Maringá. Para a dengue, existe uma política pública de prevenção dessa doença. Os números da dengue são significativamente menores, mas a mobilização e o investimento são significativamente maiores. O que reflete a importância das ações de políticas públicas de saúde mental”, ressaltou.

    Já a psicóloga Solange Marega apontou a dificuldade de debater o tema suicídio. “Lidar com suicídio é lidar com a nossa própria morte. E temos uma grande dificuldade de lidar com isso. Nós precisamos falar mais, agir mais e buscar parcerias para enfrentar essa situação”.

    O vice-reitor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Ricardo Dias, citou as ações da UEM relacionadas ao tema. A universidade hoje presta cerca de cinco mil atendimentos para a comunidade de Maringá, “Docentes, alunos, estagiários do curso de psicologia e servidores têm prestado atendimento a comunidade de forma geral. Temos 24 pesquisas hoje na UEM vinculadas ao tema do suicídio. Estamos preocupados com essa questão e temos prestado serviço para a comunidade tanto no atendimento, como na formação e na produção do conhecimento”, afirmou.

    Regina Aparecida de Paula, professora, relatou uma experiência pessoal. “É uma dor sem fim, nunca mais verei meu filho. E ressignificar a vida é o caminho para lidarmos com o sofrimento, porque não queremos ver pessoas passando pelas mesmas dores que estamos passando. O que queremos é somar forças e pedir a todos um olhar sensível a essa causa, que se trata de saúde pública”, disse.


    As leis e diretrizes de saúde mental ainda são recentes no Brasil. Em 2006,
    foram estabelecidas as Diretrizes Nacionais de Prevenção ao Suicídio, classificando-o como um problema de saúde pública. “Acho que falamos muito aqui em políticas públicas, ou, na falta dessas políticas. Sabemos a falta que fazem psicólogos na segurança pública, nas escolas e com as pessoas em situação de rua”, disse Veneri. Ele defendeu a destinação de verbas orçamentárias para organizar e disseminar o debate sobre o tema suicídio em todo o Estado. “Não se fala em suicídio nas escolas, nós vamos falar. Queremos que as pessoas continuem vivas e por muito tempo. Com amor para ficar em paz”, declarou.

    Participaram da discussão ainda o vereador de Maringá, Sidnei Telles, ; o Tenente Coronel Mocelin, do Corpo de Bombeiros, Mocelin; e o Padre Reginaldo, representante do arcebispo Dom Anuar Battisti.

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