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  • Secretário compara reposição salarial a “abrir as portas do inferno”

    Secretário compara reposição salarial a “abrir as portas do inferno”
    Dalia Felberg/Alep


    O deputado Tadeu Veneri, líder da bancada de Oposição, questionou o secretário da Fazenda, Renê Garcia Junior, sobre quando o governo irá desbloquear o orçamento das universidades estaduais, que correm o risco de parar de funcionar no segundo semestre, comprometendo o atendimento dos hospitais universitários e a realização dos concursos vestibular. Veneri cobrou do governo uma solução para as universidades durante audiência pública de prestação de contas do Poder Executivo relativa ao primeiro quadrimestre de 2019, realizada na manhã desta quarta-feira na Assembleia Legislativa.

    Apesar de afirmar que está muito preocupado com a situação das universidades, o secretário não acenou com uma solução. Afirmou que está discutindo a situação com os reitores das instituições, mas que é necessário melhorar a gestão dos recursos destinados às universidades.

    “O quadro é desesperador. O contingenciamento prejudica principalmente as atividades dos hospitais universitários e dos laboratórios. É um equívoco enxergar os recursos das universidades como prejuízo, é preciso entender estes recursos como investimentos. A pergunta que fica é: qual o projeto do governo do Estado para nossas universidades? ”, questionou.

    Veneri também perguntou ao secretário se o governo pretende manter a proposta de redução dos percentuais orçamentários para os poderes conforme consta da Proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2020. A mudança representa R$ 1 bilhão a mais no cofre do Estado que pode ajudar no pagamento da reposição inflacionária para os servidores do Poder Executivo, que acumulam perdas salariais superiores a 17%.

    “Todos os demais poderes estão pagando a data-base. O Executivo é o único que não paga a data-base. Essa medida é um compromisso do governador. Agora, se recuar e abrir mão de R$ 1 bilhão, o próximo semestre será de muita dificuldade para a população, os servidores, e na relação do governo com os deputados”, afirmou Veneri.

    O secretário disse que a crise econômica mundial e a quebra da economia nacional têm afetado as finanças estaduais e que ele não irá deixar que o Paraná entre em situação de insolvência. Disse que é preferível não aumentar as despesas de pessoal com reposição salarial do que o estado parar de cumprir seus compromissos. O secretário repetiu a posição, quando questionado por outro deputado, sobre o pagamento data base. “Meu compromisso com o governador Ratinho é proteger o orçamento e a situação fiscal do Paraná. Evitar que o Paraná entre em caminhos que outros entraram. Eu já vivenciei e converso diariamente com outros secretários. A situação de um Estado quando entra em calamidade financeira é um inferno. É imaginar que abriram a porta do inferno e todos os demônios vão sair. Não entrem nisso. Em momento algum vamos permitir que o inferno seja aberto. “, declarou.

    Para o deputado Tadeu Veneri, as respostas do secretário aumentam a inquietação.“Preocupa muito, porque com esta avaliação vem junto com uma sinalização de que o pagamento da data-base, há quatro anos descumprido, terá dificuldade de ser efetivado neste ano”, afirmou.

    Sobre a venda de empresas públicas como a Copel Telecom, Copel Geração e Transmissão, o secretário disse que não integra os conselhos de administração das estatais e, portanto, ainda não foi comunicado sobre decisões da área. Ele disse ainda que irá buscar informações sobre o prejuízo de R$ 250 milhões daUsina Elétrica a Gás de Araucária (Uega).