Notícias

  • Veneri pede fim dos “ tribunais de inquisição” nas escolas

    Veneri pede fim dos “ tribunais de inquisição” nas escolas

    O deputado Tadeu Veneri cobrou do governo do Estado o fim das sindicâncias e punições aos professores e funcionários de escolas estaduais denunciados anonimamente por envolvimento com as ações de ocupações de escolas em 2016. Até pais e estudantes estão sendo submetidos a interrogatórios conduzidos pela Secretaria de Educação.

    Autor de projeto de lei que determina a extinção das punições e procedimentos administrativos, Veneri disse que a Secretaria de Educação do Paraná está acionando um “mecanismo de terror” em seus subterrâneos. “Está em curso uma operação para coibir e reprimir manifestações nas escolas. É inadmissível o que está acontecendo na educação do Paraná”, afirmou.

    Cortes de salários, diretores eleitos pela comunidade são afastados de seus cargos são algumas das penalidades aprovadas pela Secretaria da Educação, denunciou Veneri. “Como são denúncias anônimas, o direito à defesa está sendo prejudicado”, afirmou o deputado.

    Este é o relato da professora Paula Helena Silva de Carvalho, diretora punida com o afastamento do cargo


    Depois de algum tempo digerindo o ocorrido e por respeito a vocês que nos elegeram como suas diretoras resolvi me pronunciar.
    Sobre nosso afastamento da direção da escola: é verdade!
    Desde ano passado a Secretaria de Estado da Educação tem aberto sindicâncias contra os educadores, “coincidentemente” nas escolas que tiveram a ocupação dos estudantes, movimento nacional de 2016. O que nos indigna é que tais sindicâncias viraram processos administrativos mesmo tendo como acusações uma série de ouvidorias anônimas e com diferentes temas, como forma de confundir os depoimentos e defesas, pois o objeto do crime chegava a se perder em meio a tantas coisas. As acusações são as mesmas para diferentes escolas! São mais de 3000 educadores sendo julgados em processos que lembram a inquisição.
    No meu caso são mais de 30 ouvidorias anônimas! Entre elas estavam:
    1) alegação de que não cumpro meu horário de trabalho (uma piada! Deve ser pq cumpro bem mais que as 40h pelas quais recebo, inclusive não tirando férias!)
    2) alegação de Que odeio meus alunos! Que só os chamo de “amor” e “filhos” porque quero o voto deles (detalhe, neste ano não tem eleição e continuo chamando-os assim, ou seja, quem trabalha cmg sabe do meu relacionamento quase que maternal com eles. Além disso, uso está forma com alunos que não são da escola pública e que, portanto, não me elegem para qualquer coisa)
    3) que maltrato prof que não faz greve (então alguém me explica meu melhor amigo ser o prof da escola que nunca faz greve?!)
    4) que os alunos só ocuparam a escola pq nós os convencemos ( se eu fosse tão convincente eles jamais deixariam de estudar, eles não usariam drogas, eles não gazeariam aula, não desrespeitariam os professores, eles compreenderiam a história da humanidade para alterar este modelo de sociedade, etc)
    5) por fim, a mais absurda: estou respondendo por uma saída dos alunos do 3o ano do ensino médio em março de 2017. DETALHE: eu não trabalhava de manhã nesta escola neste período!!!! De fevereiro a abril de 2017 eu trabalhava no CE Sebastião Saporski, não sabendo ou sendo responsável pelo que ocorria no Santa das 07:30 às 11:55. Só ia para o Santa Gemma no período da tarde.
    Vale ressaltar que jamais tivemos ouvidorias contra nós, além disso, a alegação de desrespeito às ordens da chefia imediata pode ser desmontado inclusive pela própria chefia que falou em frente ao coletivo de professores que não houve qualquer descumprimento de suas solicitações nesses 6 anos de direção. Ressalta-se que a chefia alega que em momento algum foi chamada para dar seu parecer.

    Enfim, o que quero demonstrar com isso, a vcs que conhecem nosso trabalho é que as acusações e nossa punição são uma tremenda injustiça! Porém, mesmo a SEED chamando como testemunha quem quiseram, não houve um só depoimento contra nós e, até por isso, o Conselho do Magistério nos absolveu por unanimidade, porém não é isso que está em jogo. Não é a verdade que conta!
    O que está em jogo é uma demonstração de poder: “eu mando e quem pensar contrário a mim será punido!” Além disso, cria-se um clima de medo! Uma vez punindo alguns educadores os outros se calarão por medo!
    Pois bem, diante disso só posso dizer que não me surpreendo com tal postura! Sabe por quê? Porque é esta a compreensão de sociedade, de justiça e de educação que o estado burguês defende! Claro que tratar os alunos como sujeitos, trabalhar incessantemente na defesa por uma educação pública de qualidade, denunciar a falta de investimento, tudo isso incomoda! E por isso fui punida!
    A lição que fica é que este modelo de sociedade, de justiça, de Estado é injusto e insuficiente para os que se preocupam com a classe trabalhadora! Então pensemos sobre isso!
    Estou forte, pois sei que é a força que esperam de mim e não quero decepciona-los ou ser incoerente com a defesa que sempre fiz!