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  • Frente em Defesa dos Atingidos por Barragens concluiu fase de audiências públicas

    Frente em Defesa dos Atingidos por Barragens concluiu fase de audiências públicas
    Veneri em Adrianópolis - Foto: Isabella Lanave

    Frente Parlamentar em Defesa dos Atingidos por Barragens realizou a última de uma série de cinco audiências programadas pela para debater as propostas apresentadas pelo Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), na Câmara Municipal de Adrianópolis. A rodada de audiências foi concebida com o objetivo de escutar os moradores da região e debater políticas públicas para proteger os direitos das famílias atingidas pelas construções de usinas hidrelétricas.

    Na região, estão programadas cinco novas PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) e a comunidade tem uma luta histórica contra a construção da Usina de Tijuco Alto, vetada pelo Ibama. O Vale da Ribeira, localizado São Paulo e o Paraná, o maior remanescente de Mata Atlântica do mundo. Em 1999, uma parte da região foi declarada pela ONU Patrimônio Natural da Humanidade.

    A próxima etapa do trabalho da Frente será a elaboração de um relatório com a síntese das propostas, que será apresentado na Assembleia Legislativa. A coordenadora regional do Mab na região, Daiane Machado, frisou a importância da realização das audiências para manter a luta da comunidade contra a destruição dos recursos naturais e do meio de vida da população da região. “A audiência ajuda a mostrar ao poder público qual a situação dos moradores em regiões com barragens construídas e onde elas estão no processo de construção, para pensarmos para quem essa energia está sendo produzida”, declarou.
    O Paraná é o segundo maior produtor de energia elétrica no país, perdendo apenas para São Paulo. Porém, em torno de 50% dessa produção é absorvida pelo Estado, principalmente pelo setor industrial. O consumo residencial é o menor. Daiane Machado disse que as comunidades atingidas pagam pela construção desses empreendimentos, “Temos que sair compulsoriamente de onde a gente vive e lutar para termos os nossos direitos reconhecidos”, conclui Daiane.
    Para o deputado Tadeu Veneri, coordenador da Frente Parlamentar em Defesa dos Atingidos por Barragens, “Vende se muito a ilusão que durante processo de construção das usinas, os municípios teriam desenvolvimento social, cultural. Mas não é o que nós temos visto. Boa parte dos empreendimentos não cumprem com as determinações previstas e as expectativas se mostram frustradas”.
    Estiveram presentes no encontro representantes de movimentos sociais, moradores das áreas atingidas ou que poderão ser atingidas pela construção de barragens, além de representantes do Governo do Estado, Defensoria Pública e autoridades da região.