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  • Carta de Curitiba convoca população à mobilização contra privatização de bancos públicos

    Carta de Curitiba convoca população à mobilização contra privatização de bancos públicos
    Isabella Lanave

      Os bancos públicos, os maiores operadores dos programas sociais do governo, estão sob ameaça de privatização pelo governo ilegítimo de Michel Temer, alertaram os participantes da audiência pública que debateu as estratégias contra a privatização dos bancos públicos, realizada pelo deputado es estadual Tadeu Veneri e a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito no paraná (Fetec) na noite desta terça-feira, no plenarinho da Assembleia Legislativa.

      Com fechamento de agências, redução de quadro de pessoal e privatização de vários setores, a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco do Brasil (BB) estão sendo esvaziados para que tenham o controle transferido para a iniciativa privada. Ao final da audiência, os participantes aprovaram a Carta de Curitiba destacando que a missão dos bancos públicos é atuar na promoção da cidadania e do desenvolvimento sustentável do País e, por isso, a defesa dessas instituições deve ser assumida pela população.

      O governo federal está propondo a abertura da CEF ao capital privado. A Caixa tem o maior fundo do mundo, o FGTS, com recursos da ordem de R$ 500 bilhões. “Todos os país do mundo têm bancos de desenvolvimento. O BB e a CEF cumprem um papel fundamental no desenvolvimento do país. Nós sabemos que o próximo passo, depois de transformar a CEF em sociedade anônima, é a abertura de capital”, disse Maria Rita Serrano, coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas.

      Clotário Cardoso, representante da Federação Nacional das Associações de Pessoal da CEF, citou que, no Paraná, o número de agências dos bancos privados ~e 946, contra 542 agências do BB e CEF, mas enquanto os bancos públicos ofereceram este ano R$ 101 bilhões em operações de crédito, as instituições privadas foram responsáveis por apenas R$ 23, 3 bilhões. “A diferença é brutal”, afirmou.

      Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa do BB, afirmou que a destruição do patrimônio brasileiro com a venda das empresas públicas para o capital estrangeiro é um processo que precisa ser entendido pela sociedade, que ainda não entende a importância dos bancos públicos. “A venda traz um prejuízo enorme. E o primeiro é na mesa. Setenta por cento da agricultura familiar é feita pelo BB e pelo Banco do Nordeste. E setenta por cento dos alimentos que consumimos nos grandes centros é produzido pela agricultura familiar. São eles que financiam o pequeno agricultor”, afirmou. Ele citou ainda que 80% do financiamento do longo prazo no Brasil é feito pelo Banco do Brasil. “Habitação popular é feito por banco público e não por banco privado”, acrescentou.

      Participaram da audiência pública os deputados Tadeu Veneri, Professor Lemos, Péricles de Mello,

      Paulo Alberto Kroneis, superintendente regional do Trabalho no Paraná , Paulo Cesar Starke Junior, superintendente do BRDE, Maria Rita Serrano, coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, conselheira no Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal, Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa do BB, Roberto von der Osten, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, Valdecir Ribeiro da Silva, vice-presidente da Federação Nacional dos Gestores da CEF , na região Sul, clotário Cardoso, diretor administrativo da Federação Nacional das Associações do Pessoal da CEF, Junior Cesar Dias, presidente da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito no Paraná, Regina Cruz, presidente da CUT e Elias Hennemann Jordão, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região.

      Carta de Curitiba

      Curitiba, 17 de outubro de 2017

      Entidades e cidadãos reunidos em Audiência Pública no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná subscrevem e encaminham a presente carta aos poderes constituídos e à sociedade brasileira.

      A CAIXA NÃO SE VENDE

      A Caixa Econômica Federal é muito mais do que um patrimônio do povo brasileiro. Os mais de 200 milhões de brasileiros confiam na Caixa como parceira do Estado na execução de políticas públicas que tiraram milhões de brasileiros da miséria nos últimos 12 anos, logo, a Caixa trabalhou por um Brasil melhor para todos. Os mais de 78 milhões de clientes confiam à Caixa muito mais do que suas economias nas contas, nas poupanças e nos financiamentos habitacionais. Os clientes depositam nessa instituição secular suas esperanças e seus sonhos. Por isso, a Caixa não se vende. Na crise de 2008, quando os bancos privados, (muitos deles envolvidos com essa crise), fecharam suas linhas de crédito e partiram para a especulação, foram os BANCOS PÚBLICOS que deram liquidez ao mercado para que o País não mergulhasse na recessão, deu crédito para a produção e para a geração de emprego e renda. Só a Caixa 100% pública pode ser uma ferramenta para o Estado brasileiro atuar no mercado financeiro no sentido da diminuição dos juros e do spread bancário. Por isso, a Caixa não se vende.

      Um banco múltiplo, rentável e social a serviço do Brasil e de seu povo: é esse o modelo que defendemos, ao contrário do modelo neoliberal que relegou os bancos públicos a meros coadjuvantes do sistema financeiro privado, deixando a atividade produtiva à mercê de extorsivas taxas de juros, dignos de agiotagem. Nos últimos 12 anos, empregadas e empregados trabalhadores da Caixa contribuíram decisivamente para a reconstrução da Empresa, depois dos anos neoliberais de sucateamento da instituição e do descaso com seu quadro funcional. Por isso, a Caixa não se vende.

      Pelo imenso volume de recursos que gere, e pelo lucro que gera, a Caixa sempre foi alvo da cobiça dos bancos privados, nacionais e estrangeiros: a Caixa tem uma das maiores redes de atendimento do País, com mais de 4 mil agências e postos de atendimento e mais de 90 mil empregados. Administra os recursos do FGTS, da ordem de mais de R$ 410,7 bilhões em ativos, e tem R$ 605 bilhões em sua carteira de crédito, sendo quase R$ 340 bilhões em financiamento imobiliário.

      Não é à toa que garantir a manutenção da Caixa e do seu papel social exige luta permanente.O anúncio sobre a intenção de abrir o capital da Caixa abre um caminho sem volta para a privatização do maior banco público do País. Na Caixa, o povo pode entrar de chinelo de dedos que será bem recebido. A Caixa é do Povo.

      O BANCO DO BRASIL NÃO SE PRIVATIZA

      O Banco do Brasil também é um patrimônio do povo brasileiro, pois, apesar de ser uma empresa na forma de sociedade de economia mista, 54% de suas ações pertencem à União brasileira. E, como banco público, tem um papel estratégico: o de fomentar o desenvolvimento econômico e social do país, com incentivo à agricultura familiar. Por isso, o Banco do Brasil não se privatiza.

      Se são os agricultores que impulsionam a economia do País, é o Banco do Brasil quemtorna isso possível. O banco, junto com outros agentes financeiros, é responsável por dar andamento às operações de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Para a safra 2017-2018, estão disponíveis R$30 bilhões de crédito para o programa com juros abaixo dos que são praticados no mercado. Vale lembrar que apesar da agricultura familiar ocupar apenas 24,3% da área agricultável, produz 70% dos alimentos consumidos pelo povo brasileiro e emprega 74,4% dos trabalhadores rurais. Mais trabalho no campo, menos favelas nas cidades, mais riqueza e fartura na mesa de todos. Não à toa, o Brasil saiu do mapa da fome da ONU. Corre o risco de aparecer de novo, sob a tentativa de ataque do governo golpista de Michel Temer.

      EM DEFESA DOS BANCOS PÚBLICOS

      Vender o patrimônio do povo brasileiro para fazer superávit primário para pagar juros ao sistema financeiro é um filme que já vimos (o tal do bolsa-juros que a mídia esconde todos os dias). Sabemos onde vai dar esse caminho equivocado: demissão, arrocho e, por fim, privatização, como ocorreu com os bancos estaduais no passado, sem que isso representasse uma solução duradoura para o Estado brasileiro.

      A missão dos bancos públicos é atuar na promoção da cidadania e do desenvolvimento sustentável do País – como instituições financeiras, agentes de políticas públicas e parceiros estratégicos do Estado brasileiro. E assim devem continuar. A inclusão social, o acesso à moradia, financiamento estudantil, o desenvolvimento urbano, enfim, todos esses serviços que conferem dignidade ao povo brasileiro, e que são a razão de ser dos bancos públicos, são valores inegociáveis. O sistema financeiro deve servir ao povo, e não servir-se do povo.