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  • Parlamentares extrapolaram horários para zerar a pauta

    O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), só vai pagar jeton para quem quiser receber. Cada um dos 54 deputados tem direito a R$ 7,2 mil pela participação nas últimas sessões extraordinárias do ano. O Regimento Interno da Casa estabelece o pagamento de um jeton de R$ 400,00 por sessão extra. \"A Assembléia é obrigada a pagar e eu tenho que cumprir. A única mudança é que o pagamento não é automático, só é feito se o deputado solicitar\", explicou.Segundo o presidente, dos 54 parlamentares, a metade requereu o dinheiro depois de apresentar requerimento à Mesa Executiva. Brandão disse que não vai divulgar os nomes dos deputados e também não vai \"denunciar ninguém\". Só adiantou que parlamentares de todos os partidos pediram o jeton.O presidente da Assembléia garante que não pagou pelas sessões extraordinárias nos últimos dois anos. Durante esta semana, com pauta cheia antes do recesso parlamentar, a Casa realizou várias sessões num mesmo dia para acelerar a votação de cerca de 50 projetos. As sessões não têm duração específica e podem demorar 5 minutos ou várias horas. Segundo Hermas Brandão foi a única vez que a Mesa Executiva decidiu liberar o pagamento.O assunto veio à tona com a manifestação do deputado estadual Padre Paulo Campos, do PT, que enviou nota aos jornais afirmando que não aceitaria os R$ 7.200 pagos aos parlamentares. Segundo ele, a Assembléia gastou quase R$ 400 mil com as convocações. \"Não acho coerente receber este valor, uma vez que os deputados já são pagos para participar das sessões. Este dinheiro poderia ser investido em algum projeto social\", disse.De acordo com o petista, este é praticamente o valor que a Associação Projeto Educação do Trabalhador Rural Volante (Apeart) está precisando para pagar os nove meses de salários atrasados aos seus quase 100 professores, que se dedicam ao ensino de bóias-frias.Na última sessão do ano, Padre Paulo cobrou do governador Roberto Requião (PMDB) a assinatura do convênio de R$ 460 mil para o ensino de trabalhadores rurais. O parlamentar disse que os professores estão praticamente passando fome.Outros deputados do PT também são contra o jeton e teriam se recusado a receber, como Tadeu Veneri e André Vargas. Autor de uma emenda ao Regimento Interno proibindo o pagamento de sessões extras, Veneri espera que a proposta seja acatada na votação do projeto em 2005. Cada deputado recebe R$ 9,5 mil bruto de salário mensal e mais R$ 27 mil para ressarcimento de despesas de gabinete e assistência social. O parlamentar tem direito também a contratar assessores num valor de até R$ 20 mil.