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  • PT denuncia jeton na Assembléia

    Um dia depois dos deputados encerrarem os trabalhos, uma nova polêmica agitou os bastidores da Assembléia Legislativa. Parlamentares da bancada do PT anunciaram terem se recusado a receber R$ 7,2 mil que estariam sendo pagos pela Casa a cada um dos 54 deputados por conta das sessões extraordinárias realizadas no último mês. A denúncia colocou em dúvida as afirmações da Mesa Executiva, presidida pelo deputado Hermas Brandão (PSDB), que desde o ano passado diz ter suspendido o pagamento do chamado \"jeton\" pelas sessões \"extras\". Pelo regimento interno da Assembléia, cada deputado tem direito a receber R$ 400,00 pela presença em cada sessão extraordinária realizada pela Casa. Como no final do ano os deputados realizam um grande número de sessões para poder limpar a pauta e votar os projetos pendentes ao longo do período, isso renderia um bom adicional natalino para cada parlamentar. Só na quarta-feira, último dia de votação, por exemplo, os deputados fizeram quatro sessões extraordinárias. De olho na opinião pública, porém, desde o ano passado a direção da Assembléia garantia ter suspendido esse pagamento. Uma nota enviada ontem pelo deputado Padre Paulo (PT) afirmando que ele teria se recusado a aceitar R$ 7,2 mil pagos pela Casa pelo comparecimento às sessões extraordinárias realizadas durante a semana acabou levantando novamente a polêmica. Desconvocação - Segundo Padre Paulo, no total a Assembléia teria gasto quase R$ 400 mil com estas convocações. O petista argumentou ainda que não acha coerente receber o dinheiro, uma vez que os deputados já são pagos para participar das sessões. Cada deputado recebe um salário mensal de R$ 9,5 mil, além de verbas para a manutenção de gabinetes, contratação de assessores, aluguel de veículos e assistência social que somariam cerca de R$ 60 mil. Além disso, no final do ano, cada parlamentar tem direito a um salário extra de R$ 9,5 mil a título de \"desconvocação\". O presidente da Assembléia desmentiu a informação do petista. \"Não é verdade. Estão dando tiro em lugar que não conhecem\", afirmou. Segundo Brandão, o dinheiro repassado aos parlamentares teria sido o pagamento pela desconvocação, como prevê o regimento. O tucano garante que mantém a política de não pagar jeton pelas sessões extraordinárias. \"Existe uma pressão (para que a Assembléia pague). Estou pensando mas só vou decidir isso no ano que vem\", diz. Regimento - Outros deputados do PT, porém, confirmaram a história de Padre Paulo. \"É ridículo dizer que não está pagando. Foi pago para todo mundo que quis\", disse Tadeu Veneri. Segundo Veneri, além de Padre Paulo, ele mesmo, e outros petistas, como André Vargas e Luciana Rafagnin teriam se recusado a receber a verba. \"Eles (a Assembléia) estava chamando quem quisesse receber para pagar R$ 7,2 mil pelas sessões extraordinárias. A Assembléia deveria assumir que mandou pagar\", afirmou. Veneri diz que a polêmica deve ser resolvida com a votação, no ano que vem, do novo Regimento Interno da Casa. \"Apresentamos uma emenda para acabar de vez com o jeton pelas extraordinárias\", explica.